Quantas vezes eu estive
cara a cara com a pior metade?
A lembrança no espelho,
a esperança na outra margem
Quantas vezes a gente sobrevive
à hora da verdade?
Na falta de algo melhor
nunca me faltou coragem
Se eu soubesse antes o que sei agora
erraria tudo exatamente igual...
(extraído da música "Surfando Karmas & DNA", da banda Engenheiros do Hawaii)
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
sábado, 12 de dezembro de 2009
Fatalismo
"Digo que quem lê Harry Potter aos 10 anos de idade verá Lua Nova aos 15, lerá Paulo Coelho aos 20 e Dan Brown aos 30. Aos 60, votará em Sarney e suspirará pelos bons velhos tempos." (extraído da genial crônica de Juremir Machado, "Glauber, Caetano e Eu")
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Psicanálise - III
Todos os que saem frustrados da sabatina, os que caem vencidos em vereda mais pedregosa, os que são abatidos algures mais desafiador - longe de nossa inerente zona de conforto - dão-se ao luxo de sentirem-se culpados. Há aí um dragão de duas cabeças. Uma delas, com o olhar cintilante, porém enlutada pela derrota, impele a reconstrução. A outra, flamejante em toda a sua extensão, apenas paralisa o ser tornando-o réu de seus próprios esforços. Porém, pode-se manipular e tornar genuíno o veredicto. Ora, culpa é resquício de orgulho. E orgulho parte do narcisismo. Aquele mesmo que diz que não somos e/ou não podemos ser falhos. Quem acreditou e/ou acreditará nesse embuste? Eu e muita gente. Rogo alforria a todos.
Psicanálise - II
O prazer de que gozam os mártires. Um ego que pede para ser reprimido. As peças que não param no teatro da psiquê humana. Um único ator no palco, ganhando roupagens e roupagens. Eu sou o público e, apesar de eu conhecer bem o talento e as limitações do protagonista, nem sempre escapo de suas provocações. Quem é ele para fazer estremecer meus totens? Derrubar meus tabus? Questionar meus dogmas? Por que eu continuo a assistir ao espetáculo? Dia desses sucumbirei e não levantarei mais da poltrona.
Tolo Estigma
Depois dalgum generoso período abstinente, começa-se a dar valor ao invariável. Ao que realmente acontece dentro e fora do espírito. No meu caso, o melhor entorpecimento é o literário. Da minha cadeira de marfim - se eu a possuísse - entoo a máxima: a humanidade deve evoluir. Mas principalmente os poetas. Não deve-se legitimar o subterfúgio que nossos ídolos utilizam - artistas, músicos, escritores, enfim, todos estes que nos impressionam ao sulcar os acidentes do universo em suas próprias couraças - para poderem criar. Ridícula razão que encontram para anestesiar a mente sem culpa.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Algoz
Considerando-se caritosa, você tolheu minhas aspirações. Aqui encontro-me. Roto. Sem existir novamente. Não sendo. A única coisa que me faz ter a certeza peremptória de que ainda (sobre) vivo é a cólera que eu gostaria de destilar nessa tua cara adulterada. Existem pessoas que para sentirem-se poderosas, precisam de alguém para pisar. Você está circunscrita nesse pestilento universo. Isto é um aforismo. E você não pode fazer nada a respeito. Nem saberia como.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Vida de Solteiro - Parte III
Alforria total dentre quatro paredes. Do que isso adianta quando se está insone? Uma série de insights surgiram hoje e fiquei nu diante de mim. A merda é essa. O corpo está em frangalhos, mas o coração não para de bater por querer mais dessa visão. E então amanhã todos poderão contemplar-me em pleno caos. Rir-se-ão. Filhos-da-puta. Lógico. Ninguém vai querer acompanhar-me, afinal tiveram suas invejáveis oito horas de sono.
domingo, 29 de novembro de 2009
Psicanálise - I
Por fim, sublimar-me-ei. Talvez até saia de mim. Vou fugir de meu próprio baluarte. Quando só, ergo cenários nos quais as multidões efêmeras dessa vida (vizinhos, chefe, colegas de faculdade, professores e até mesmo amigos) me inspecionam, me reviram, me criticam, me atacam. E eu vou inibindo e derrubando uma a uma de suas atitudes e um a um de seus argumentos. Não tenho a mínima certeza de que tais eventos verdadeiramente ocorrerão. Será que os conflitos realmente instaurar-se-ão? Reais ou imaginários - mas profundamente arraigados -, eles exaurem minhas forças constantemente. Qual o conceito psicanalítico e/ou freudiano que poderia descortinar esse fenômeno? Seria um processo da mente no qual o sujeito projeta em personagens do seu cotidiano culpas, gozos e prazeres de toda a sorte? Se assim o for, estes representariam severamente minhas preocupações, desejos, esperanças, traumas e vontades. Mas então, qual a gênese desse vício? Uma consequência da tecitura dessa tenra trajetória ou do julgamento que fizeram acerca de. Daí pode ter eclodido um super-ego ora prudente, ora satírico, no entanto, o mais das vezes, tirânico.
domingo, 15 de novembro de 2009
Vida de Solteiro - Parte II
Eu tenho uma vizinha. Beira os quarenta. Solteirona. Nos corredores do prédio, já reparei no corpo inteiraço e nos seus cabelos um pouco crespos, rebeldes e com mechas louras. Já a boca não sei como descrever a dela, a não ser como a de uma bela chupadora. Muitas vezes, da janela do meu quarto, vejo que ela assiste à TV madrugada afora. Quanta perda de tempo. Eu aqui, há poucos metros de distância, querendo oferecer vigor e virilidade pra essa balzaquiana-mal-comida. Dia desses, a mulher veio até meu apartamento com a finalidade de entregar o condomínio do mês, sendo que a administradora não havia me encontrado em casa pra deixar a conta nas mãos do titular. Ela então, docemente vestida de roupão transpassado, explicou a situação e, como era perto das dez horas, falava baixinho. Quase sussurando. Restou-me agradecer. “Obrigado.” Peguei o envelope da pôrra do condomínio e olhei para baixo. As pernas brancas dela estavam impecavelmente depiladas e o corpo inteiro exalava sabonete, hidratante e cheiro de mulher que vai dar a boceta iminentemente. Percebi que os seios não estavam tão empinados como já tinha visto dias antes. Denunciava a ausência de soutien. Estaria também sem calcinha? “Vagabunda. Cadela. Sabia que vou dormir umas três horas mais tarde por causa tua?” Foi o que eu quisera ter dito, pois iria homenagear ela durante um bom tempo num banho bem longo. Despedi-me. E, de fato, comecei a pintar a tela onírica. Aquela ocasião poderia ter sido propícia para arrastar a balzaca pra dentro do meu apê, encoxá-la e prensá-la contra a pia da cozinha, fazendo com que ela tivesse que curvar o corpo pra frente. Abriria a torneira e molharia seus mamilos com a água gelada. A outra mão se encarregaria de puxar o roupão pouco abaixo de seus ombros o suficiente para lamber, morder, beijar, raspar a barba por fazer e baforar intensamente parte de suas costas, pescoço e orelhas. Ela procuraria manifestar contrariedade. “Ah....ahhh.... Não assim...ah...não assim.” Mas aí o intumescimento dos seus seios não deixaria qualquer margem de dúvida quanto às reais vontades daquela coroa. Com uma ereção bem satisfatória, eu exaltaria e indagaria. “Sente esse pau roçando na tua bunda. Vai dizer que tu não quer ele bem dentro?” E aí a safada curvaria ainda mais o corpo pra que eu sentisse com mais intensidade suas nádegas. Com meu cacete cada vez mais revolto, eu levantaria aquele roupão e meteria uns dois, três dedos na vagina morna e besuntada de tesão. Descobriria uma tanga fio dental que poderia ser facilmente colocada de lado, assim, um tanto esticada marcando bem o rabo dela. Incauto, enfiaria de qualquer jeito o pau naquela gruta mais experiente. A vadia ainda tentaria me afrontar um pouco. “Ahh...quer me comer? Então mete. Mas mete agora, animal.” E eu já bem colocado, segurando firme sua cintura, não daria trégua. “Tu é uma puta mesmo. Nem me conhece direito e vai abrindo as pernas...tá gostando desse caralho, né?” Poucas fodas me excitariam tanto a ponto de gozar tão rapidamente. “Posso ir? Já? Vou esporrar fora...” “Eu já fui faz tempo. Goza tu agora, desgraçado. Pode terminar dentro. Eu tomo anti.” Saber que aquela vaca ainda era fértil me deixaria enlouquecido. Muitas vezes, as mulheres aceitam uma foda meia boca e até mesmo uma brochada, mas um cara que não goza é desconcertante. Naquela situação não seria diferente. E então, a visão dela molhando os próprios seios com a água da torneira ainda aberta se tornaria derradeira. Esguicharia umas quatro, cinco vezes dentro da boceta. “Agh....ahhhh!” Daríamos um tempo, os dois meio que abraçados apoiando-se na pia. Seguiríamos para o sofá completamente melados. Beijos e beijos com línguas inflamadas ergueriam novamente e sem demora meu pau. “Vou comer teu rabo.” “Ah. Tu quer ser o primeiro, é?” A segurança necessária para incitar-me a comer logo a bunda dela viria do fato de que, geralmente mulheres daquela idade, se ainda não fizeram sexo anal, fazem com um garotão por curiosidade. Se já fizeram (o que é muito mais provável) – independentemente de terem gostado ou não – dizem que o parceiro em questão será o primeiro unicamente para levantar seu ego. Sei do que falo porque situação análoga já ocorrera comigo. Fechado parênteses, seria hora de deixá-la nua em pelo na cama do meu quarto. Ver a coroa entregue na cama, de quatro, se ajeitando pra ficar à vontade seria estonteante. E penetraria seu corpo com calma, para que a experiência fosse deveras agradável pra ela - afinal eu seria o primeiro (!). Como seria bom estar dentro da balzaca por trás. Tanta pressão no meu membro e aquela conotação de submissão que o coito anal deixa. “Ahh...ai! Ai! Tá bom demais, mas eu não vou aguentar muito tempo. Se quer gozar, goza.” Teria de ser necessário acelerar os movimentos e ela aumentaria o volume de seus gemidos, que ecoariam pelo poço do edifício. Eu não me importaria nem um pouco com isso, incentivando-a. “Grita, prostituta. Grita!” Ralaria a verga com tanta intensidade naquela trepada que ela fecharia os olhos e morderia o lábio inferior num misto de dor, prazer, êxtase. Vendo suas mãos puxando o lençol com agressividade e tentando conter seus gritos, encheria ela novamente com meu esperma. O corpo dela não daria conta de tudo, deixando escorrer um pouco do líquido espesso e quente para fora. Caindo de bruços na cama, ela logo se levantaria e vestiria o roupão sem lembrar da calcinha úmida jogada em um dos cantos do quarto. “Ai meu Deus! Tu é um louco!” Sairia então do meu apartamento deixando-me ali, com aquela cara de rapaz-solteiro-que-não-tem-nada-a-perder-mas-sim-muito-tesão-por-essas-mulheres-mais-vividas. Eu pensaria. “Ela voltará.” Agora pondero seriamente em deixar esse conto de forma anônima embaixo da porta do apartamento dela.
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